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Beat Breakdown Mia Johnson
O que era para ser a consolidação do sonho americano transformou-se em um dos períodos mais dolorosos da vida do brasileiro Anderson Crivelaro. Detido por agentes do Departamento de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em agosto de 2025, ele passou quatro meses em um centro de detenção para imigrantes na Flórida antes de ser deportado — e, desde então, vive a dor de estar longe das filhas, que permaneceram no país.
“Não pude nem dar o último abraço nas minhas filhas”, relembra, emocionado. Ele não as vê desde o dia da prisão, em 19 de agosto.
Anderson havia se mudado para os Estados Unidos em 2021, acompanhado da esposa e das duas filhas pequenas, com o objetivo de construir uma vida melhor. Com o passar dos anos, conseguiu estruturar empresa, moradia e estabilidade familiar.
A entrada no país ocorreu de forma legal, com visto de turismo válido por seis meses. Posteriormente, ele ingressou na Justiça com um processo para regularizar sua permanência. Ainda assim, acabou alvo de uma ação migratória.
Segundo seu relato, no momento da abordagem os agentes apresentaram duas alternativas duras: “Ou nós pegamos você e suas duas filhas e colocamos no avião agora para o seu país, ou nós te mandamos para Miami.”
Para evitar que as crianças fossem deportadas, Anderson decidiu permanecer detido sozinho — decisão que mudaria o rumo da família.
Após a prisão, ele foi transferido para um grande centro de detenção imigratória no sul da Flórida, apelidado de “Alcatraz dos Jacarés” por estar localizado em uma área de pântano cercada por milhares de jacarés.
No local, afirma ter enfrentado condições severas: “A comida era escassa. Você comia e, pouco tempo depois, já estava com fome”, relata.
Ele também descreve restrições de higiene: “Eram três banhos por semana, de no máximo dez minutos.”
Segundo Anderson, o ambiente era constantemente frio devido ao sistema de ventilação, enquanto detentos não tinham autorização para usar agasalhos, ao contrário dos seguranças. “A tortura era psicológica, física e mental”, afirma.
Após quatro meses detido, Anderson foi deportado ao Brasil. Como consequência do processo migratório, recebeu ainda a proibição de retornar aos Estados Unidos por dez anos.
As filhas permaneceram no país com a mãe — separação que ele descreve como a maior dor de sua trajetória. “Eu estava com 55 anos, empresa montada, minhas filhas saudáveis, felizes, apartamento organizado… e de repente tudo acabou do dia para a tarde.”
Sem previsão de reencontro, ele admite incerteza sobre o futuro: “Não sei o que fazer”, diz ao ser questionado sobre como pretende rever as crianças.
Escrito por SpotBrazil
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